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Carlos Relvas

 

Carlos Relvas

Carlos Augusto Relvas Mascarenhas de Campos, nascido na Golegã em 1838, é uma das figuras centrais da história da fotografia portuguesa. Com uma actividade artística intensa, percorreu temáticas variadas, da paisagem aos monumentos e património, dos animais ao retrato, passando pelo auto-retrato. A afirmação do seu trabalho em diversas exposições internacionais é a marca de um talento raro e o retrato precioso da terra e das gentes do Portugal da segunda metade do século XIX. No início dos anos 60 (séc. XIX), começa a interessar-se pela fotografia . Fascinado pela nova arte, Carlos Relvas adquire livros e revistas da especialidade, mantendo-se a par da sua evolução. Compra também as suas primeiras máquinas e manda construir no jardim da sua Quinta do Outeiro um pequeno atelier fotográfico. Entretanto, viaja pela região centro do país e fotografa vários dos principais monumentos portugueses. Envia as suas fotografias para os maiores especialistas franceses e vê-se admitido, em 1869, como membro da prestigiada Sociedade Francesa de Fotografia. O sucesso alcançado leva-o a projectar um novo e ambicioso empreendimento: uma Casa-Estúdio especificamente destinada ao desenvolvimento da arte fotográfica, que veio a inaugurar em 1876. Paralelamente à fotografia, Carlos Relvas dedica-se a outras actividades, com destaque para as corridas de cavalos. Ganha também fama nas praças de toiros, fazendo reverter os prémios para obras de caridade. No entanto, a fotografia permanece como a sua grande paixão. Cria um aparelho para facilitar as focagens, aplica a fotografia estereoscópica, e introduz e divulga em Portugal o método da fototipia. Medalhado em vários certames, como na Exposição Universal de Viena (“Medalha do Progresso”) e de Paris, colabora também na realização de exposições, na organização de clubes dedicados à fotografia e no lançamento de publicações especializadas, sendo a mais importante a revista “A Arte Fotográfica”, editada no Porto. Carlos Relvas morre a 23 de Janeiro de 1894, vítima de uma septicémia contraída após um acidente de cavalo nas ruas da Golegã. Desaparecia assim uma das figuras mais ilustre do Portugal de então. Relvas foi Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e Fidalgo Cavaleiro da Casa Real.