Menú Principal selecione para saltar este menú
links ajuda mapa do site
pesquisa
ok
Menú de Cabeçalho selecione para saltar este menú
Página inicial > Notícias e Eventos > Notícias > Feira do séc XVI ao XXI

A Feira da Golegã – do século XVI ao século XXI


A Feira da Golegã – do século XVI ao século XXI

A Feira da Golegã é uma das mais antigas e perenes manifestações da identidade ribatejana, fazendo por isso parte da cultura nacional.
As suas origens remontam ao século XVI, estando intimamente ligadas à criação de cavalos na região. A antiga estrada real, que ligava Lisboa e o Porto, passava pela Golegã, diante da igreja manuelina de Nossa Senhora da Conceição, o que levou ao sucessivo incremento da actividade coudélica, reforçada pelas necessidades do exército. Por exemplo, em 1541, D. João III mandou que se contassem os cavalos e éguas da região, ordenando que disso se fizesse segredo, por se tratar de uma questão sensível para a defesa nacional.
Na mesma altura, os criadores de gado socorriam-se de um convento franciscano, situado nos arredores da Golegã, para pedir auxílio divino que os ajudasse na sua actividade. Possivelmente relacionado com este facto, em breve surgiria na Vila a Feira de São Francisco, santo famoso pelo modo como advogara que também os animais eram criaturas de Deus. Realizada a 4 de Outubro, e demonstrando-se muito popular, esta Feira começou a prejudicar o certame mais antigo da Vila de Penela, efectuado em data próxima. Em virtude das sucessivas queixas dos penelenses, o rei D. Sebastião viria, em Julho de 1571, a decidir que doravante a Golegã celebraria a sua Feira no dia 11 de Novembro, dia de São Martinho, cuja figura é indissociável da sua espada, do seu manto, e do seu cavalo.
Várias notícias, ainda em finais do século XVI e durante todo o século XVII, confirmam a grande popularidade do certame goleganense. Já no século seguinte, em plena época do Marquês de Pombal, o evento era apresentado na Aula do Comércio como sendo uma das três maiores feiras do País. A sua vitalidade apenas seria afectada em 1810, aquando da terceira invasão francesa, altura em que a Vila ficou inteiramente destruída. Apenas muito lentamente a Feira de São Martinho viria a recuperar, mas somente em 1865 se poderiam constatar resultados palpáveis, nomeadamente com a introdução de um concurso de gado cavalar. Agora com maior competitividade, sobretudo entre os criadores, a Feira voltou a readquirir o seu brilho.
Durante o século XX, a Feira conseguiu manter-se extremamente popular, apesar do advento do automóvel ter feito decrescer a procura de equinos enquanto meio de transporte. Mesmo assim, no período entre 1939 e 1945, em virtude dos racionamentos impostos pela II Guerra Mundial, a Feira da Golegã foi ainda muito procurada para a compra de animais com aquele fim. Desde o período do pós-guerra, e até à actualidade, os cavalos mantiveram e até reforçaram a sua importância em diversos domínios, da segurança ao desporto, da reabilitação física e psicológica ao turismo, entre muitas outras áreas. Em simultâneo, o seu porte elegante e altivo continuou a atrair milhões de visitantes à Golegã.
Em 1972, o cavalo foi assumido oficialmente como o símbolo da secular Feira de São Martinho, instituindo-se a Feira Nacional do Cavalo (FNC). Impondo-se a várias contingências, a FNC enraizou a sua identidade e, nestes últimos anos, diversificou-se, dando especial atenção, por exemplo, ao Puro Sangue Lusitano, uma das mais nobres raças de cavalos a nível mundial, também ela historicamente indissociável da vila goleganense e dos seus coudeleiros.
No século XXI, a Feira da Golegã é feita de modernidade, mas também, como sempre, de tradição.



« voltar |  imprimir



União Europeia - FEDERPrograma Operacional Sociedade do Conhecimento Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo[D]