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Localização Na direcção de Santarém para a Golegã avista-se junto a rua da Misericórdia, na Azinhaga, casa e quinta com o mesmo nome desta freguesia. Aqui uma ilustre família fidalga com casa e titulo na mesma terra. D. João Vicente de Saldanha Oliveira e Sousa, 4º Marquês de Rio Maior, 7º Conde de Rio maior, 3º Conde da Azinhaga e 22º Morgado da Oliveira; representante de uma das mais antigas famílias da nossa história.
Época de construção Senhor de várias posses, Carlos Marques, lavrador, pai de duas filhas solteiras, acabou vendendo a casa e quinta da azinhaga ao então Marquês de Rio Maior, avô do actual proprietário - por volta de 1920.
Revestida, a casa, no seu interior, de pinturas murais, dá-nos referências do período romântico e do gosto Brasileiro, época de auge desta construção, embora as suas origens sejam anteriores, o seu valor estético e artístico surgem agora.
Exterior do imóvel
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Bloco de quatro fachadas cobertas por trepadeiras que deixam apenas entrever pequenos apontamentos artísticos como as bonitas colunas da varanda virada a norte, uma tao tipicamente portuguesa escada com alpendre a Nascente, ambas viradas ao pátio limitado por cavalariças com um arco de acesso a quinta! |
| A face Poente, virada a Rua da Misericórdia é toda ela rasgada por dois andares de janelas, terminando com uma maior abertura de ligação à varanda de onde as suas elegantes colunas podem ser avistadas. Dando continuidade a esta fachada, pode atravessar-se um grande portão de acesso ao tão bem cuidado pátio interior, também limitado pelas casas de lenha e antigas cavalariças - entre estas, um arco de passagem permite a continuidade entre a casa e a quinta. |
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Interior do imóvel
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Sem desvalorizar o exterior deste imóvel, elegantemente ornado por pormenores artísticos que tanta vida dão à simplicidade desta construção ribatejana, devemos, sem qualquer engano, realçar o valor do seu interior. De divisão em divisão, surpreendendo o olhar de qualquer visitante, as pinturas murais conferem diversificados ambientes, mais ou menos quentes, consoante os propósitos que o espaço requer. | No final do século XIX, sendo uma época de grandes ligações portuguesas com o Brasil, terra de grandes posses e sentimentalismos entre os dois povos, instalou-se no nosso país o gosto abrasileirado daqueles que regressaram sequiosos de um espaço onde revivessem as suas lembranças e mostrassem a sua nova "cultura híbrida", dai que este novo estilo não fosse considerado de bom gosto, visto ser enaltecedor de novas fortunas e não sugerisse qualquer espécie de sobriedade.
A casa da Azinhaga não tendo sido alterada no seu exterior, apenas foi valorizada por pinturas murais atribuídas ao gosto Brasileiro, embora, com recriações dos princípios Europeus dos séculos anteriores.
Ao longo dos anos este novo estilo foi aceite, chegando mesmo a ser valorizado e protegido como um marco da época.
Desde o final do século XIX que a experimentação de novos processos de pintura com a aplicação de tintas industriais obteve resultados semelhantes ao dos frescos oferecendo, daí em diante, uma maior resistência ao longo dos anos.
Neste imóvel encontramos um leque variado de elementos decorativos e paisagens, revestindo de forma significativa e embelezante, as paredes dos vários compartimentos desta casa.
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 | A requintada escolha da simplicidade e sobriedade, tanto dos elementos decorativos pintados com um traço delicado, como pelas cores escolhidas, ajustam-se de forma correcta à utilização dada ao espaço, quartos de dormir e sala de jantar. No sentido inverso, a principal sala de estar, é completamente revestida nos seus quatro rurais, representando paisagens que propositadamente misturam a civilização ocidental com elementos da oriental - como acontecia nos anteriores séculos XVII e XVIII em que os artistas orientais aquando de encomendas para a Europa, faziam a sua interpretação, deixando escapar características que encontravam apenas nos seus horizontes.
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Conservadas de forma espantosa, estas pinturas interiores conferem à casa um grande valor artístico e histórico.
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